Gestão de Miro Sanova na presidência da Funtelpa tem de funcionários-fantasmas a contratos para digitalizar acervo da TV Cultura, sem um minuto sequer gravado

 Gestão de Miro Sanova na presidência da Funtelpa tem de funcionários-fantasmas a contratos para digitalizar acervo da TV Cultura, sem um minuto sequer gravado

Miro Sanova, à esquerda, no dia do lançamento da candidatura dele à Prefeitura de Ananindeua, com Dilvanda e Beto Faro, todos no PT

Belém, 2 de março de 2026 – Nada como ter boas fontes, pessoas que estão sempre de olho nas verdadeiras atrocidades que acontecem nas gestões de secretarias e entidades do Governo do Pará. E nada como ser totalmente IGNORADA pelas pessoas que deveriam se blindar contra essas acusações.

Desde quinta-feira, 26, eu tento, inutilmente, obter respostas do presidente da Funtelpa, Miro SÁnova. Mandei mensagens pelo WhatsApp e por e-mail a ele e ao chefe de gabinete dele e NADA. Então, vamos ler, leiam as muitas denúncias que pesam sobre a gestão de WaldoMIRO Sanova na presidência da Funtelpa.

Trajetória

O ex-deputado estadual Miro Sanova quando começou na política em 2008, era do PDT, partido pelo qual se elegeu vereador em Ananindeua e deputado estadual. Em outubro de 2009, se licenciou para chefiar a Secretaria Municipal de Cultura de Ananindeua, na gestão do então prefeito Helder Barbalho, mas retornou à Câmara Municipal em dezembro de 2010. Foi eleito deputado em 2014 e reeleito em 2018. Em 2020, ventilou a hipótese de ser candidato a prefeito do município vizinho, mas desistiu antes mesmo das convenções eleitorais.  

Ficou sem cargo público, até que em 2023, assumiu a presidência da Fundação Paraense de Rádio e Televisão – Funtelpa. Se licenciou do cargo em 2024, trocou o PDT pelo PT, para disputar a Prefeitura de Ananindeua, em acordo claramente com Heldisss s para atrapalhar a reeleição de Dr. Daniel ao cargo. Não se elegeu novamente, e voltou à presidência da Funtelpa em fevereiro de 2025, onde está até este momento, segundo diz SÁnova, “a convite do governador Helder Barbalho”.  

Campanha de Miro à Prefeitura de Ananindeua

Polêmicas

Na volta de SÁnova à Funtelpa, a gestão dele que já colecionava polêmicas, aqui e ali, em 2025, justamente no ano em que Belém recebeu a COP 30, o presidente surgiu com a “brilhante” ideia de transformar o tradicional programa da TV Cultura, “Catalendas”, que conta as lendas amazônicas com apoio de teatro de bonecos, em novos programas feitos por meio de Inteligência Artificial – IA.  

O trailer do novo programa, trazendo os bonecos totalmente descaracterizados, provocou uma onda de protestos pelas redes sociais, que fez SÁnova voltar atrás e se esquecer da “modernização” de um programa que já faz parte do imaginário dos paraenses.  

A última polêmica que chega ao público foi no início de fevereiro quando ele levou ao programa da TV Cultura, “Esporte 93”, o filho mais velho dele, o adolescente Eduardo – Dudu – Sanova, para comandar as análises sobre a campanha do Clube do Remo no Parazão 2026. Segundo o pai orgulhoso, o menino teria “visão afiada e comentário de quem entende de futebol”. 

Miro e o filho Eduardo

Denúncias

Miro SÁnova alçar o filho ao cargo de “comentarista de futebol” é o de menos, em uma fundação como a Funtelpa, que já abrigou o filho único da secretária de comunicação do Pará, Vera Oliveira, a Verinha, Léo, que chegou à emissora por meio da Casa Civil do Pará.  

Miro coleciona várias denúncias desde que assumiu a Funtelpa. Foi na gestão dele que dois diretores da fundação foram afastados de seus cargos por conta de denúncias de assédio moral, e até sexual, contra servidores da casa. Um deles, recentemente, teve o processo arquivado por “falta de provas”. O que se sabe é que as denúncias que “derrubaram” esse diretor não foram sustentadas pelas “vítimas” quando o caso passou a ser conduzido pela Justiça do Pará.  

Funcionários fantasmas

Uma das denúncias que chegaram a mim mostra que Wellington Sales Pereira recebe cerca de R$ 4 mil mensais, entre salário e vale-alimentação, na condição de “assistente II”. A informação é que ele é amigo pessoal de Miro SÁnova e que estaria contratado como “técnico”, o que ele não é. A denúncia dá conta que ele é “funcionário fantasma”, já que nem vai ao local de trabalho. Wellington foi candidato a vereador em Ananindeua, com apoio de Miro, ao lado de quem apareceu em muitas fotos nas redes sociais. 

Miro parece ter grande apreço por Wellington, porque em 2023, solicitou 13 diárias e meia para que o “funcionário” viajasse para municípios da região oeste do Pará, como Monte Alegre, Alenquer, Óbidos, Oriximiná e Terra Santa, para que ele, sozinho, fizesse o serviço de “manutenção de equipamentos de transmissão, revisão no sistema irradiante e revisão na parte elétrica e aterramento” nas torres de transmissão da TV Cultura. Um serviço extremamente segmentado e que exige a presença de técnicos habilitados e treinados, o que Wellington nunca foi.  

Depois de revisão e de uma “chamada de atenção”, o processo das diárias foi abortado. Ou a Funtelpa teria pagado o valor de R$ 3.204,63, somente em diárias a Wellington, que foram assinadas por Miro e pelo diretor financeiro, à época, André Márcio Souza Neri.  

Edillainy Maria da Costa Cavalcante também foi nomeada pela Funtelpa, como “assistente III”, mas seria também “funcionária fantasma”, pelo fato de nunca ter pisado na sede da Funtelpa, na rua dos Pariquis. Há registro do contrato dela, mas ela já deixou a fundação.  

Outros desvios

 A influenciadora digital Natasha Rodrigues passou a trabalhar na TV Cultura em cargo administrativo, em 2024. Mas o jeito “viral” dela se comunicar a colocou à beira do gramado do Mangueirão, fazendo reportagens nos jogos de futebol ali realizados.  

Natasha não é jornalista formada, não tinha vínculo empregatício com a TV Cultura e mesmo assim, participou de várias transmissões esportivas, durante cerca de um ano. A pergunta é de onde era pago o salário dela? A condição de Natasha foi denunciada ao Sindicato dos Jornalistas do Pará – Sinjor-PA, que aparentemente não tomou conhecimento da situação.     

Digitalização

Há anos e anos, a TV Cultura luta para tornar realidade o sonho de digitalizar o acervo de imagens da emissora, que cobre mais de 30 anos de histórias tradicionais no Pará, mas nunca conseguiu. 

Dois contratos firmados com a empresa Mídia Center, no valor de – os dois juntos – mais de R$ 200 mil seriam para fazer a digitalização do acervo precioso da TV Cultura. O primeiro recibo da Mídia Center é do dia 7 de dezembro de 2023, no valor de R$ 99.900,00 para fazer o serviço de “gravação, edição, digitalização de acervo analógico Funtelpa, no período de dezembro de 2023, conforme empenho número 2023.650201NE001454”. Quem assina o recibo é o representante legal da Mídia Center, Ivaldo Kleber Barros – mais conhecido quando era o DJ Kleber Barros – administrador e sócio-proprietário da empresa.  

nota fiscal de número 00003359, de 3 de março de 2024, também é sobre o pagamento de “gravação, edição, digitalização de acervo analógico Funtelpa”, no período de fevereiro de 2024. O valor é de R$ 113.400,00, em duas parcelas de R$ 56.700,00.  

Tudo estaria correto, caso o acervo tivesse sido digitalizado. Informações de servidores da Funtelpa garantem que não há um minuto sequer do acervo digitalizado. Para onde esses mais de R$ 200 mil foram destinados, uma vez que o acervo da Funtelpa continua sem nada digital, não se tem informação. 

Mídia Center

Em resposta aos questionamentos do site, a empresa Mídia Center não disse quantas horas de imagens já foram digitalizadas ou quais equipamentos de ilha de edição foram disponíveis a esse serviço. A empresa se limitou a explicar que o modelo de parceria estabelecido com a Funtelpa é “no sistema de adesão a serviços pré-estabelecidos em Ata de Registro de Preços, que atende à emissora em necessidades específicas, inclusive, a digitalização de material audiovisual”. 

Disse também que a digitalização do material arquivado em vídeo e áudio no acervo da emissora “não está estabelecido em contrato com início e fim para ser executado”, que ele acontece por demanda e segue um preço tabelado, desde o início da adesão da Ata, o que “garante controle e transparência no montante mensal cobrado por essa conversão”. 

A empresa garante que os preços praticados por ela seguem as regras do mercado. “Qualquer aumento no valor mensal decorre exclusivamente da necessidade técnica apontada pela contratante, o que descarta, qualquer hipótese de superfaturamento ou cobrança indevida”.  

A Mídia Center não se manifestou sobre o quanto de trabalho já feito, nem deu números sobre a questão de digitalização.  

Mais denúncias

Boa parte das denúncias na gestão de Miro SÁnova se referem também a suspeitas de que propagandas veiculadas durante a programação da TV Cultura e merchandising nos intervalos do programa Sem Censura não teriam contratos firmados.  

Sem contratos, não se tem conhecimento sobre como os pagamentos dos comerciais entraram na contabilidade da TV Cultura. Se é que entraram. Algumas das empresas citadas que tiveram comerciais veiculados são: Tchelo Bonés, uma empresa de um amigo muito próximo de Sanova e de do diretor de marketing da Funtelpa, Marcelo CuruminArroz Zilmar; a Shineray Bysabel, na transmissão do futebol; shows de eventos locais e nacionais, com sorteios de brindes; a pizzaria Divino Orégano, nos intervalos do Sem Censura, e outros.    

Uma viagem do presidente Miro SÁnova para Brasília, em fevereiro de 2024, aparentemente, foi apenas para uma visita de cortesia ao casal senador Beto Faro e a deputada federal Dilvanda Faro, ambos do PT, atual partido de SÁnova. As fotos nas redes sociais não mostram outras atividades de Sanova que não sejam a de visitar e posar para fotos com o casal.     

A “amizade” de Miro e Beto passa também pelo amor ao Leão

O que se comenta é que Heldissss não estava muito simpático à volta de Miro à Funtelpa, mas entrou em cena o senador Beto Faro, e “requisitou a Funtelpa para si”, e foi assim que SÁnova voltou à presidência da fundação.  

Miro e Beto sob o olhar vigilante de Heldissss

Desvio de função

A empresa Arcos Serviços Urbanos, com mais de 14 anos de experiência, consolidada na prestação de serviços de limpeza urbana, manutenção, construção civil e locação de veículos, tem contrato com a Funtelpa para serviços terceirizados.  

Nessa empresa, existem casos de pessoas contratadas para serviços jornalísticos e técnico de manutenção da TV, mas o contrato com os trabalhadores é de “auxiliar administrativo”, uma vez que a Arcos é de serviços gerais e não de serviços técnicos, e isso se constitui como desvio de função.  

Como citei acima, o site solicitou esclarecimentos a Miro Sanova sobre as denúncias que pesam contra ele e até esta segunda-feira, 2, não recebeu respostas.  

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