Miro Sanova é novo presidente da Funtelpa, mas situação dos servidores está caótica nessa fundação

 Miro Sanova é novo presidente da Funtelpa, mas situação dos servidores está caótica nessa fundação

O ex-deputado estadual Miro Sanova é o novo presidente da Funtelpa

A bomba caiu logo cedo na manhã desta segunda-feira, 10, com a publicação no Diário Oficial do Estado – DOE-PA – de mudanças na Fundação Paraense de Radiodifusão – Funtelpa. Hilbert Nascimento, o Binho, que estava na função de presidente da entidade, desde o começo do governo Heldisssss, foi exonerado e para o lugar dele foi nomeado o ex-deputado estadual Miro Sanova.

Mas Binho continua na Funtelpa, na função de “diretor”, no lugar de Abílio Martins Júnior, que foi exonerado desse cargo.

Diário Oficial do Estado do Pará, edição desta segunda-feira, 10

A primeira grande pergunta é: o que entende de comunicação e da função de uma emissora pública educativa, esse Miro Sanova, que, até então só exerceu cargos como vereador e deputado? E, pior, não se elegeu deputado federal na eleição de 2022.

Miro Sanova não se elegeu em 2022

Existe a informação de que Sanova teria formação acadêmica na área de comunicação e seria publicitário, mas não se tem notícia da atuação dele nesse segmento.

A resposta pode vir do fato que Miro, um aliado histórico de Heldissss, não se elegeu na eleição de 2022.

Outro fato gritante: Miro Sanova, além de provavelmente não entender lhufas de comunicação pública ou privada, quebra um longo histórico de que presidentes da Funtelpa foram pessoas que são do segmento jornalístico, como Mauro Bonna, Francisco Cesar, Regina Lima, Ney Messias Jr., Adelaide Oliveira e o próprio Binho.

Denúncias – A ida de Sanova para a Funtelpa configura o que se convenciona chamar “pá de cal” na situação terrível pela qual os servidores dessa entidade estão passando. As denúncias vão desde as perdas de direitos adquiridos pelos servidores concursados, perdas salariais, assédio moral, à transmissão desastrosa dos jogos do Parazão 2023, pelo YouTube da TV Cultura, que tem uma coleção de palavrões e palavras de baixíssimo calão ditas no ar para quem quiser ouvir.

No Dia do Jornalista, dia 7 passado, o Sindicato dos Jornalistas do Pará – Sinjor-PA – fez uma postagem nas redes sociais mostrando os problemas infligidos aos servidores da Funtelpa.

Postagem do Sinjor no Instagram

Mais denúncias – Este site recebeu algumas denúncias que só ratificam o que o Sinjor-PA já mostrou.

Veja o que mostram as denúncias:

a situação na Funtelpa está o caso. Desvalorização profissional, desrespeito, assédio moral, são só alguns dos pontos. Sem contar que a atual gestão, parece que odeia os concursados e faz de tudo para que eles desistam de seus cargos – para colocarem mais indicações deles e de outros nesses cargos.

O Sinjor-PA tenta um acordo coletivo com a Funtelpa desde 2021, a direção foge, nega, não responde, enfim, faz de tudo para dificultar o acordo.

Com isso, eles [diretoria] suspenderam todos os direitos que foram garantidos no acordo coletivo anterior. Suspenderam o pagamento do quinquênio, que era o único aumento salarial regular que tínhamos – 5% a cada cinco anos de trabalho – e que deveria ter sido pago em 2021.

Suspenderam o pagamento de adicional noturno, que é um direito contido na CLT, e negaram as licenças sem vencimento aos servidores concursados.

Em contrapartida, são impostas escalas de trabalho absurdas, com viradas de horário – já houve escala em que um funcionário ficou quase 24 horas em um evento, sem pagamento de adicional noturno ou hora extra. Em muitos eventos externos longos, não são disponibilizadas água e outras infraestruturas.

A linha editorial virou agenda de Governo do Pará, sem levar em conta a função social da emissora como a TV pública educativa que é.

Há vários cargos por indicação política, em sua maioria, com pessoas que fazem assédio moral fortíssimo. Se instaurou um clima nas redações no qual o funcionário tem que fazer o que o chefe quer “e pronto”, mas mandado assim, nesse tom.

Promoção sem ser por competência, mas sim por indicação ou por ser um rostinho bonito legal para a televisão. Uma servidora, por exemplo, é graduada em Direito e estava como assistente administrativa na TV, mas foi promovida a comentarista de jogos do Parazão 2023, por ficar bem no vídeo, enquanto isso, há jornalistas esportivos supercompetentes na geladeira.

Já houve demissões arbitrárias e de forma abusiva, somente porque o funcionário “não puxou o saco o suficiente” do presidente [Binho Nascimento].

Profissionais da imprensa passando por tudo isso por estarem sem alternativa de emprego, já que o atual Governo está com a imensa maioria dos veículos de comunicação do estado do Pará nas mãos – e bolsos. O medo de perseguição ou de perder o emprego impera.

A Cultura é uma emissora pública educativa, mas essa função “educativa” se acabou com a transmissão dos jogos do Parazão 2023 com o perfil Futebol Zueiro pelo canal do YouTube da TV Cultura. No domingo, 9, na transmissão de Clube do Remo x Paysandu, o convidado do Futebol Zueiro na transmissão foi o indigitado deputado estadual Bob Flay, e de onde saíram as pérolas “pau no c* de quem não gostar”; “Paysandu vai se f*d*r”; “O time do Remo tava com o c* aberto esperando r*l*” e outras entre pior e ruim.

A situação é essa em uma emissora que sempre prezou pelo bom jornalismo e que é exemplo para o Brasil inteiro.

Mais mudanças? – As últimas informações dão conta que as mudanças ainda não terminaram. Fala-se que Vanessa Vasconcelos pode estar deixando a direção da TV Cultura, e que para o lugar dela seria nomeado o jornalista Álvaro Borges, que atualmente é diretor de jornalismo da RBATV. A conferir! Pelo menos, Borges é jornalista e entende muito bem de televisão e comunicação.

Ao contrário de Miro Sanova que, dizem, está assumindo esse cargo público, em uma forma de compensação de Heldissss para com ele e que ficaria nesse cargo apenas o tempo da eleição municipal de 2024 e viria como candidato à Prefeitura Municipal de Ananindeua.

Como eu sempre falo: #Oremos

1 Comment

Comments are closed.