TV Liberal aciona Polícia Militar para tentar calar manifestação do Sindicato dos Jornalistas do Pará

 TV Liberal aciona Polícia Militar para tentar calar manifestação do Sindicato dos Jornalistas do Pará

Integrantes do Sinjor-PA em frente à TV Liberal, na manhã desta sexta-feira, 20

Belém (PA) – O Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor-PA) promove nesta manhã de sexta-feira, 20, uma manifestação em frente à TV Liberal. Todos estão vestidos de preto, novamente em defesa dos salários da categoria. Após várias tentativas infrutíferas, os jornalistas decidiram ir para às ruas.

O Sinjor-PA afirma que não aceitará mais o rebaixamento dos salários e dos direitos da categoria. “Os jornalistas querem todas as perdas salariais”, enfatizou Vito Gemaque, presidente do Sinjor.

Viatura da Polícia Militar do Pará chamada pela TV Liberal

Mas as coisas estão tensas no local. Quem conta é a jornalista e dirigente sindical Helena Sária: “Já não basta o arrocho salarial de 5 anos e ter oferecido apenas 5,5% de reajuste, a TV Liberal chamou a SeMOB pra tirar nosso carro som da frente da TV e mandou um representante pra tirar nossa faixa aqui da frente. Aqui tem luta queridos, apenas começamos”, contou no perfil dela no Twitter.

O que ocorreu em relação à SeMOB, foi que um fiscal dessa entidade de trânsito surgiu no local da manifestação, reclamando do carro som que estava na calçada. Houve uma conversa, e os dirigentes do Sinjor-PA conseguiram reverter a situação.

Vito Gemaque, presidente do Sinjor-PA

Helena continuou o relato: “Já mandaram a SeMOB, depois pediram pra tirar a faixa (não tiramos) e agora “apareceu” esse carro da PM. Tudo isso pra intimidar um sindicato que está fazendo seu papel: lutando pra reajustar um salário cujo piso pela SERTEP é de 1.500 reais”.

O Sindicato de Jornalistas no Estado do Pará (SINJOR-PA) respondeu, publicamente, na quinta-feira, 19, responder às mensagens do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado do Pará (Sertep) e ao grupo Liberal que circulam nos grupos de WhatsApp da categoria.

Desde o ano passado (2021), a nova gestão do Sinjor-PA, Sempre na Luta vem buscando as empresas individualmente, aquelas que tinham acordos coletivos com a entidade, casos do grupo Liberal, Funtelpa e grupo Diário/RBA, e o sindicato patronal para negociar a assinatura de uma nova convenção coletiva e as outras empresas de Rádio e Televisão para repor as perdas salariais da categoria que, no período de 2018 a 2021, ultrapassavam 14%.

Manifestação do Sinjor-PA em frente à TV Liberal
Manifestação do Sinjor-PA em frente à TV Liberal
Manifestação do Sinjor-PA em frente à TV Liberal
Manifestação do Sinjor-PA em frente à TV Liberal

O jornalista Taymã Carneiro, do portal G1 Pará/ TV Liberal, aderiu à roupa preta e escreveu: “Jornalismo não é glamour, nem fama, é serviço essencial em defesa da DEMOCRACIA e da VERDADE, mas, pra isso, o jornalista tem que pagar suas contas e sobreviver. Aqui, estamos há 5 anos sem reajuste. #JornalistasPorSalárioeRespeito”.

Taymã Carneiro não foge à luta

RBA, Fundação Nazaré e Roma News – Além do grupo Liberal, as negociações salariais não avançam também no grupo RBA, que engloba o jornal Diário do Pará, o portal DOL e a RBA TV. Esse grupo paga ainda menos que o grupo Liberal.

Na Fundação Nazaré, do grupo católico homônimo, não é permitida a entrada de membros do Sinjor-PA para conversar com os jornalistas e eles usam a artimanha de contratar jornalistas para a TV Nazaré como se fossem radialistas da Rádio Nazaré para assim pagar um salário menor.

Já o portal Roma News não paga os salários dos jornalistas em dia. É comum por lá, os jornalistas ficaram sem salário por um bom tempo durante o mês.

O que pedem o jornalistas – Após algumas reuniões, a proposta final da Sertep foi apenas 5,5% de reajuste. Proposta indecorosa, abaixo da inflação do ano passado. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) somente de 2020/2021 a inflação somou 7,11%.Além dos 5,5%, o sindicato dos patrões ainda quis mudar o mês da data-base para agosto, para assim não pagar os retroativos referentes aos meses de abril, maio, junho e julho; conceder um abono somente uma vez no ano para os trabalhadores; e reajuste do piso da categoria para R$ 1.650. Sem conceder nem ao menos a inflação de 2021, com uma armadilha para os jornalistas, o Sertep ainda enviou e-mail dizendo que “todas as perdas até 1 de agosto de 2021 serão consideradas quitadas”.

Em Assembleia Geral, no final do ano passado, os jornalistas do Pará não aceitaram a proposta e decidiram pedir intermediação do Ministério Público do Trabalho do Pará e Amapá (MPT-PA AP). A categoria aguarda agora mediação pelo MPT junto à Sertep.

Neste ano, os patrões insistem em quitar todas as perdas salariais (2018, 2019, 2020, 2021 e 2022) com apenas 5,5%. Somente no último ano de abril de 2021 a abril de 2022 alcançou 12%.Essa prática costumeira do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Pará (Sertep) em acumular perdas ao longo dos anos para negociar parte do percentual repete-se nas negociações, o que vem empobrecendo a categoria e reduz o piso a inconcebíveis R$ 1.500.

O piso do Sertep está somente R$ 288 acima do salário mínimo, e muito distante do que é recomendado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para os trabalhadores que é de R$ 6.394,76. A atual proposta da Sertep de 5,5% está longe de representar reposição das perdas e muito menos um aumento efetivo do poder de compra da categoria.

Grupo Liberal – Ao longo dos últimos meses, o grupo Liberal não respondeu as insistentes tentativas do SINJOR para uma contraproposta. Mesmo após uma reunião com a advogada do Grupo, e outro encontro com o presidente do conglomerado, Ronaldo Maiorana, que prometeu realizar um estudo de viabilidade financeira para conceder um reajuste digno para a categoria, o grupo se calou.

Sem nenhuma resposta, e com a suspeita de que haveria intenção do Grupo em desmembrar os jornalistas da TV Liberal e Rádio Liberal do Acordo Coletivo específico para seguir as regras da Convenção Coletiva da Sertep, com menos direitos e salário reduzido, o SINJOR buscou mediação do Ministério Público do Trabalho (MPT).

Somente após intimação do MPT, no último dia 9 de maio, os advogados do grupo Liberal explicitaram que a proposta era a mesma do Sertep de 5,5%. Os advogados informaram que não poderiam “dar tratamento desigual para os jornalistas”, ou seja, o reajuste de 5,5% seria para todos os jornalistas do grupo impresso, portais, televisão e rádios. Fato que se confirmou na véspera do ato convocado pelo Sinjor-PA em frente à TV Liberal, para esta sexta-feira, dia 20, quando o conglomerado divulgou uma nota aos jornalistas informando que está concedendo aumento de 5,5%, como “adiantamento de maio de 2022”. A empresa ainda divulgou que a “decisão se deu em razão das dificuldades na negociação coletiva desta categoria”.

O grupo Liberal e a Sertep querem esquecer o total de 26% de reajuste que devem aos jornalistas. Faltam ainda 21% de perdas salariais. O Grupo ainda “esquece” de seguir a Lei Trabalhista ao não pagar as horas-extras dos jornalistas, já que não há acordo coletivo com a categoria. Além de ter suspendido as progressões de carreira desde 2018 para os jornalistas após dois anos de casa. O Grupo Liberal esquece de dizer que o Sinjor-PA está há um ano tentando negociar.

Com informações do Sinjor-PA

1 Comment

  • Muito orgulho da nova geração que se levanta contra os desmandos patronais que anos a fio aviltam uma categoria tão importante como a nossa. Todo apoio á luta dos trabalhadores e trabalhadoras vida comunicação!

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