PREMIAÇÕES DO CINEMA

Precisamos falar sobre Joaquin Phoenix

Joaquin Phoenix na dia da entrega do Globo de Ouro, em 5 de janeiro

Muita gente se admirou da interpretação de Joaquin Phoenix, como Coringa, no filme homônimo. Na noite de domingo, 5 de janeiro, Phoenix ganhou o Globo do Ouro de Melhor Ator/Drama, em uma constatação de que essa é uma das atuações mais memoráveis, nos últimos anos no cinema mundial. Phoenix já ganhou o Critics’s Choice e acaba]ou de ganhar o SAGAwards, na noite de domingo, 19.

Mas só se admira quem não acompanha o trabalho de Phoenix. O Coringa, entregue por ele, é tão fabuloso quanto o de Heath Ledger, em “Batman - O Cavaleiro das Trevas”, direção de Christopher Nolan, mas, ouso dizer que o de Phoenix tem um acréscimo a mais, porque o Coringa dele meio que subverte a definição que temos/conhecemos de “vilão”. E talvez tenha sido por isso, que Phoenix dedicou o prêmio de Melhor Ator no SAGAwards, na noite de domingo, 19, a Ledger.

O Coringa de Phoenix está muito mais para vítima, do que, propriamente, vilão. Eu, em alguns momentos do filme, comecei a justificar a mim mesma a ‘vilania’ desse personagem.

Jack Nicholson já foi Coringa; Cesar Romero, idem, e até Jared Leto se arvorou em sê-lo, mas Phoenix entrega “A” interpretação.

Preparação - O fato é que Phoenix, me parece, passou a vida inteira meio que se preparando para ser Coringa, sem nem saber disso. Ele não queria o papel, mas o diretor do filme Todd Phillips o convenceu a atuar na trama. Quem acompanha a carreira desse ator talentoso vê nessa interpretação traços de personagens que ele já defendeu em “O Mestre”, "Vício Inerente", “Você Nunca Esteve Realmente Lá”, “A Pé Ele Não Vai Longe”, e, até mesmo o imperador em “Gladiador”, que deu a Phoenix a primeira indicação ao Oscar.

Phoenix tem uma espécie de queda por personagens diferenciados - pra ficar apenas nesta palavra -, e em todas as atuações, se percebe a entrega dele como ator ao personagem. Tem duas atuações de Phoenix, pelas quais eu nutro um amor maior, que é em “Amantes”, de James Gray; e o meu xodó, “Ela”, de Spike Jonze. Nas duas, ele é quase um homem “comum”, mesmo se considerarmos que em “Ela”, o doce Theodore se apaixona por um sistema operacional (tudo bem que ela tem a voz de Scarlett Johansson, e, enfim, é um app).

Escola - Joaquin Phoenix é da mesma escola de atores maravilhosos que usam o corpo para extrair uma melhor expressão dos personagens. Atores do quilate de Robert De Niro, Daniel Day-Lewis, Christian Bale, Gary Oldman e outros raros, por aí.

Alguns sabem que os Phoenix era hippies e viviam em uma comunidade alternativa. Por isso, os nomes escolhidos para os filhos foram River (rio), Rain (chuva) e Leaf (folha). Joaquin, quando começou a carreira no cinema, ainda se chamava Leaf, mas mudou depois que o irmão, River, morreu em decorrência de uma overdose. Às vezes, me pego pensando se River ainda fosse vivo, como seria a relação deles com o cinema. Se haveria espaço para dois atores muito bons, como os dois são.

O fato é que, depois do Globo de Ouro e SAGAwards, Joaquin, que já pintava como o favorito da temporada de premiações, se torna mais favorito ainda. E fará história: é a primeira vez em que um personagem, vindo diretamente das HQs, irá ganhar tantas premiações na categoria PRINCIPAL de ator, visto que os prêmios de Ledger foram como Melhor Ator Coadjuvante, aliás, póstumos.

Se Phoenix não ganhar esse Oscar de Melhor Ator, em 2020, será “A” maior injustiça já promovida pela Academia de Artes e Ciências de Hollywood, que realiza o Oscar. Mas essa zebra está ficando cada vez mais distante. E veremos Joaquin subir ao palco da premiação para ganhar, enfim, o seu já tão merecido Oscar de Melhor Ator, como ele já repetiu o gesto no Globo de Ouro, Critics e no SAGAwards.

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